Por Patricia Travassos

Mesmo vivendo em plena era dos algoritmos, foi o acaso que me aproximou do .Futuro_Rio 2019: um encontro casual num restaurante em São Paulo com uma das organizadoras do evento, a Maria Pidner.

Não nos víamos havia mais de 10 anos e, por alguma razão, nossas redes sociais não andavam se falando. Mas o interesse pela inovação rapidamente nos reconectou como se o tempo não tivesse “voado”.

Do passado, começamos a falar sobre o futuro. Ela logo adicionou os franceses Xavier Leclerc e Olivier Mourier à conversa e deu “match”. Nossa afinidade surgiu num “snapshot”.

A terceira edição do evento já tinha tema definido: “A Humanidade Aumentada” – que sintetizava muito bem o que venho pesquisando nos últimos anos. Conclusão: me tornei a Mestre de Cerimônia da conferência com a missão de costurar as palestras e, ao longo do dia, narrar uma história com começo, meio e fim sobre o impacto da tecnologia na sociedade e nos negócios.

Foram 25 palestrantes que compartilharam suas perspectivas sobre a relação do homem com as máquinas e as consequências disso para as corporações.

O dia começou com o Professor Luli Radfahrer, Mestre e Ph.D em Comunicação Digital da USP que, de imediato, deu uma sacudida na plateia com seu tom alarmista. Para ele, estamos vivendo a era da “datacracia”, numa “realidade mediada” por nossas “próteses cognitivas”(smartphones). Mais do que a onipresença da tecnologia, ele destaca a onisciência dela que nos vigia e nos coage de forma “invisível”. Radfahrer afirma que a privacidade é o menor dos problemas. Precisamos ficar atentos à nossa perda de autonomia.

A palestrante seguinte, Monica Herrero, CEO da consultoria Stefanini, completou o raciocínio do professor traçando a seguinte evolução dos tempos: de 2015 para cá, estamos na chamada “Era da Convergência Tecnológica”. Entre 2020 e 2024, será a Era dos Vestíveis. Depois, de 2024 a 2026, será o período dos Implantáveis e atingiremos a “Singularidade” entre 2027 e 2030.

Para quem não foi apresentado ao conceito da “Singularidade”, vale explicar que é o termo que derruba os limites entre o homem e o robô. Imagine a implantação de chips cerebrais capazes de aumentar nossa memória. Ou ainda o uso de “sangue sintético” para aumentar a força e a resistência humanas em até 63%. Esses foram alguns dos exemplos de estudos reais (in progress) que Herrero apresentou e, que mais tarde, o Neurocientista Stevens Rehen completou, surpreendendo a plateia com provas de que a ficção científica virou fato!

O cientista que é ligado ao Instituto d’Or e à UFRJ descreveu pesquisas de Reprogramação celular, criação de neurônios a partir da urina (mini-cérebros), clonagem de animais (muito além da famosa ovelha Dolly), neurodoping… e levantou a importância de se conhecer a fundo o funcionamento do nosso cérebro, abrindo incríveis oportunidades para a tecnologia potencializar nossas capacidades.

Como ficam os negócios geridos diante desta população mais longeva, mais resistente e mais capaz? Não existe uma resposta definitiva, mas é unânime a conclusão de que a inovação deixou de ser responsabilidade do departamento de TI das empresas. Qualquer colaborador nos dias de hoje deve ter em mente o pensamento inovador e empreendedor. Mais do que uma transformação digital, estamos vivendo uma transformação cultural. É a mudança de mindset que nos permite avançar, criar novos modelos e  adotar novas tecnologias, concordaram os executivos convidados para compor o evento, tais como Antonio Mendonça, da Korn Ferry, André Corte, da Dataprev, Nelson De Lorenzi, novo CEO da Atos e Paloma Ishii, CMO da Gympass e Thais Galli, da Tishman Speyer.

A Inteligência Artificial ganhou destaque especial com dois painéis: um envolvendo o Head de AI do Bradesco, Marcelo Câmara – quem comandou a criação e batizou de BIA a nova ferramenta do banco, e a Pesquisadora Dora Kaufman, autora do livro O Despertar de Gulliver: Os desafios das empresas nas redes sociais.

Em outro bate-papo, falamos de arte e tecnologia com os artistas Clélio de Paula (Templo Studio) e Katia Wille que criou a instalação chamada “Das Tripas Coração”, usando tecnologia Microsoft, que estava representada por Maisa Penha. A parceria entre a artista e a gigante de tecnologia começou na edição 2017 do .Futuro Rio. O evento é mesmo feito para promover a convergência de ideias e encontros que viabilizem transformações reais.

Antoine Harary, da Edelman Intelligence, apresentou evidências de que a confiança é um dos valores humanos mais importantes para pessoas e marcas.

A criatividade chamou a atenção no painel do executivo brasileiro da NBA, Arnon de Mello. Ele mostrou como tem reunido uma legião de fãs do basquete por aqui, onde embora não seja realizado nenhum jogo da liga Americana, são promovidos happenings tão divertidos quanto lucrativos. As partidas são transmitidas via internet, com direito à realidade aumentada e interações gráficas, aplicadas ao vivo, dando graça e exibindo inovação na prática.

Para encerrar com chave de ouro, Oskar Metsavaht, fundador da Osklen e do Instituto-E falou de propósito e sugeriu para quem verdadeiramente quiser inovar dar asas à imaginação. É olhar para dentro e identificar o “zeitgeist” no ar. Quem se limitar a seguir as tendências acaba ficando para trás.

Foi um privilégio participar não só como plateia, mas podendo, do palco, perceber as expressões de curiosidade das cerca de 500 pessoas que se reuniram no Aqwa Corporate para conversar intensamente sobre o hoje e o amanhã.

Os sócios da MOX Digital Xavier, Olivier e Maria subiram ao palco para anunciar o prêmio Tech for Good que será entregue em 2020, dando uma boa pista do tema que estará em foco na próxima edição do evento.

Esperamos seguir juntos.

Até lá!

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