Foi-se o tempo que empresas criadas por mulheres ou por mães eram sinônimo de negócio artesanal. A tecnologia virou ferramenta obrigatória para melhorar a performance e aumentar a longevidade dos projetos. É isso que mostra a websérie em vídeo e podcast chamada Inovar é um parto que a produtora de conteúdo Prosa Press está produzindo. “É uma forma de refletir sobre o crescimento e a inovação que marcaram o empreendedorismo materno nesta década”, afirma o produtor executivo do projeto Clovis Travassos

O empreendedorismo materno é a segunda revolução feminina

O empreendedorismo materno é considerado a segunda revolução feminina no mercado de trabalho. A primeira aconteceu quando a mulher deixou de ser dona-de-casa e conquistou espaço no mercado de trabalho. A segunda foi quando ela deixou o emprego (e até mesmo cargos importantes na hierarquia de empresas) decididas a abrir o próprio negócio para conseguir equilibrar melhor a vida profissional e a dedicação à família e, principalmente aos filhos. Não foi um caminho fácil no Brasil. O empreendedorismo materno começou cheio de ilusões. Mesmo assim, nos últimos 10 anos, o movimento conquistou relevância, atenção da mídia e até mesmo dos bancos (que começaram a criar linhas de crédito voltadas para esse público).

Um fator crucial nesse processo foi a internet que passou a conectar redes de mulheres com dilemas em comum, interesses e talentos complementares, promovendo encontros virtuais muito produtivos. A “porta” que primeiro deixou a tecnologia entrar nos negócios femininos chamava-se networking, lembra Patricia Travassos, autora do livro “Minha mãe é um negócio” (Editora Saraiva). Conectadas, as mulheres criaram o hábito de compartilhar experiências e ideias de negócio. Depois, a tecnologia passou a ser adotada também para facilitar a gestão e viabilizar o home-office.

A conexão 24 horas por dia derrubou o horário comercial, os limites territoriais e as possibilidades só se multiplicaram ao longo do tempo, resume a jornalista. Enfim, o que aconteceu nesta década foi a desmistificação da tecnologia, que deixou de ser um bicho de sete cabeças nos negócios femininos. E, muito embora as mulheres até hoje sejam minoria entre programadoras, engenheiras de computação e fundadoras de startups, a tecnologia é a grande semelhança entre os negócios de mães que sobrevivem por mais tempo.

A verdade é que a transformação digital é uma jornada dolorosa, igualmente desafiadora para homens e para mulheres, diz Patricia Travassos que, após a publicação do livro se especializou em inovação e costuma dizer: “inovar é um parto”. Ela explica a analogia: “no nascimento de uma criança, logo que a mãe coloca o bebê no colo, ela tende a esquecer a dor do processo e a focar nas expectativas positivas, que podem ser tão incríveis quanto imprevisíveis. Na transformação digital é assim também”.  

Nova série em vídeo e palestras

As novas possibilidades que a tecnologia pode trazer para o negócio são o foco das entrevistas que ela vem gravando para o novo projeto. O “Inovar é um parto” será lançado ainda no primeiro semestre de 2020 divulgando exemplos de mãe empreendedoras que adotaram a tecnologia em seus negócios e ganharam junto com a escala, a possibilidade de sonhar mais alto. Estamos formatando a pesquisa também como palestra inspiracional para empreendedoras. Uma prévia já foi apresentada na Feira do Empreendedor do Sebrae no final de 2019, em São Paulo e em João Pessoa. A ideia é desmistificar a tecnologia e aproximá-la das pessoas que têm uma ideia de negócio. “Não é preciso entender de tecnologia para criar uma start-up. É preciso entender do problema que a empresa vai solucionar”, completa Patricia Travassos.

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