Por Patricia Travassos

Hoje a combinação entre falta de tempo e conceitos como assertividade e eficiência tem extrapolado o mundo corporativo. Não é à toa que os aplicativos de relacionamento vem fazendo tanto sucesso.

Só no último ano, o Match Group, (dono de mais de 40 aplicativos de encontro, entre eles o Tinder, que é o mais popular, inclusive no Brasil) se valorizou mais de 80%!!!! Eles estão presentes em 190 países e 42 idiomas. E segundo o índice NASDAQ o grupo está valendo hoje 20 bilhões de dólares.

Eu fiquei chocada não só com o valor da empresa, mas também com o número de aplicativos que são lançados, levando em consideração os mais variados nichos de comportamento. Tem aplicativos para veganos, geeks, maiores de 50 anos, gays… e alguns são restritos a grupos religiosos, voltados especialmente para evangélicos, judeus…

Agora, o brasileiro é um povo conhecido pela sociabilidade. Por que os aplicativos de relacionamento fazem tanto sucesso por aqui?

O sucesso no Brasil está ligado justamente a esse talento do brasileiro. Porque aqui como as pessoas são mais sociáveis, elas usam a ferramenta de forma correta: ou seja, para encontrar o par compatível e aí partem para o encontro real.

Aí a gente poderia pensar: para o aplicativo, o romance dar certo, é um mau negócio. Depois do encontro pessoal, a ferramenta perde o cliente, certo? Errado! Porque os encontros bem sucedidos geram resultados positivos para a marca. Melhoram a reputação e a imagem dos aplicativos que acabam atraindo aqueles que ainda estavam descrentes da ferramenta e impulsionando a gamificação da sedução que além de romance possibilita o encontro com a agilidade, a diversidade e a quantidade de parceiros.

E como os aplicativos de relacionamento ganham dinheiro?

Eles tem um plano de negócio que não é nada romântico. A receita deles tá baseada em publicidade e também em um verdadeiro jogo de sedução com o cliente: os aplicativos têm regras. Você tem um número restrito de pessoas para quem pode jogar charme ou dar likes por dia. Quer exceder esse número? Tem que pagar.

Você pode contratar uma conta premium e pagar por mês, para usar o aplicativo à vontade sem ver publicidade. E assim vai:   quer aumentar suas oportunidades? Paga! Quer ver quem tá visualizando o seu perfil? Paga também.

Em outros países, como Estados Unidos, existe uma saturação. Já há mais de 1500 sites e aplicativos de encontros. E em outras culturas, menos sociáveis, digamos assim, a conversa fica muito restrita ao ambiente virtual e o negócio não evolui tanto.

Tem gente que diz que os aplicativos estão afastando as pessoas afetivamente…

Os aplicativos de relacionamento afastam as pessoas?

Pois é, se realmente as pessoas se contentarem com os encontros virtuais em que o outro nada mais é do que uma idealização nossa.

Inclusive, essa relação entre o homem e a máquina tem sido objeto de estudo nas comunidades científicas do mundo todo. Há quem defenda a ideia de que no futuro, vamos nos relacionar afetivamente com robôs. Tem até livro publicado sobre o assunto. (David Levy inclusive publicou o livro Love and Sex with Robots)

O fato é que a inteligência artificial começa a mapear nosso perfil e nossos interesses para compras, também pode nos ajudar a encontrar um par ideal. O problema é esse conceito de ideal ou de perfeição: que pode funcionar para as máquinas, mas para a vida real…é bem diferente. O melhor é baixar essa expectativa e buscar ser feliz convivendo com nossas imperfeições.

Leia também:

Soluções inovadoras para melhorar a mobilidade urbana

As inovações o futuro da mobilidade

A explosão dos serviços de delivery

A profissão do presente

Fomos ali dar uma voltinha no futuro

Vídeo é tendência!

TAG

Prosa Press

VEJA TAMBÉM