Natal chegando e a corrida por presentes chega ao ápice do ano.

Quem entra numa loja de brinquedos se surpreende com a quantidade de lançamentos. Entre as novidades, você vai acabar se deparando com brinquedos conectados.

 

Tem muita família preocupada em limitar o acesso das crianças às telas (seja do celular ou tablet), mas a verdade é que junto com a internet das coisas, cresce o mercado da Internet dos Brinquedos – que são bonecas, carrinhos e jogos que cada vez mais dependem da internet para funcionar. Ou seja: não é preciso estar mais diante de uma tela para que seu filho esteja conectado…podendo ver o mundo, mas ser visto também!!!

 

No meu tempo, as bonecas que falavam “mamãe”, “papai”, e “eu te amo” já eram o máximo. Aí, o número de palavras e frases que elas eram capazes de falar foi crescendo, e agora já existe boneca com inteligência artificial. O que significa isto?

 

Boneca com inteligência artificial tem um potencial enorme de entreter e divertir muito mais porque ela conversa com a criança e aprende com ela sobre as suas preferências, coleta dados de comportamento e é capaz de identificar a sua geolocalização. Então, muitos pais até compram os brinquedos para monitorar os filhos de forma sutil.

 

Agora, isso gera dados muito importantes sobre o seu filho e abre uma profunda discussão sobre os riscos dessa tecnologia: invasão de privacidade – o que pode ameaçar a segurança física, moral e psicológica, abrindo porta para hackers.

 

O problema é o que é feito com esses dados, me alertou o coordenador do programa Prioridade Absoluta, do Instituto Alana, Pedro  Hartung. Segundo ele, algumas marcas, além de gravar a interação com as crianças, transcrevem o que elas dizem, selecionam frases e ainda enviam para os pais com sugestão para que eles postem nas redes!

 

Todas estas são informações que podem revelar muito sobre a personalidade dos nossos filhos, servindo como fonte de pesquisa para desenvolvimento de novos produtos, propagandas e até para futuros processos de seleção de vagas de trabalho, por exemplo.

 

Agora, é possível evitar que os brinquedos evoluam? A minha filha por exemplo tem um robozinho que  faz reconhecimento facial e dá oi pra ela, chamando-a pelo nome. A programação do “brinquedinho” evolui a partir da interação das pessoas que têm o mesmo robozinho no mundo todo. Então, se ela inventar uma brincadeira aqui no Brasil e compartilhar num aplicativo, outras crianças podem aproveitar a brincadeira e interagir com o robô da mesma forma que ela, do outro lado do mundo. É uma espécie de programação coletiva.

 

Acho muito interessante que as crianças possam derrubar as barreiras geográficas e compartilhar experiências, mas com segurança. E para isso é preciso que não só os pais estejam atentos, mas que as empresas tenham a responsabilidade de promover e não violar os direitos delas, cumprindo e respeitando protocolos de segurança e privacidade.

 

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Prosa Press

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