Efeitos da hiperconexão

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Tudo começa com a ansiedade de querer acompanhar a rapidez e a capacidade dos computadores.

 

 

O brasileiro é um dos campeões mundiais em relação ao tempo que permanece conectado à internet: são, em média, 9h14 por dia! Isso traz consequências físicas e também psicológicas já em discussão na comunidade científica. Você já ouviu falar em tecnostress e obesidade digital? Estas são algumas síndromes que estão surgindo e ganhando cada vez mais popularidade em tempos de hiperconectividade.

 

Tudo começa com a ansiedade de querer acompanhar a rapidez e a capacidade dos computadores. A ameaça de que os robôs com inteligência artificial vão tomar nossos postos de trabalho tem gerado uma espécie de competição entre o cérebro e os micro-processadores.

 

Sem chance nenhuma de ganhar essa “briga”, tem gente desenvolvendo o chamado tecnostress que resulta em tensão, irritabilidade e perda de paciência. As pessoas ficam menos dispostas a esperar por uma resposta. Querem tudo de forma imediata e instantânea, e muitas vezes, sem se dar conta, ficam imersas no mundo virtual.

 

 

Dá só uma olhada nos memes que andaram circulando pela internet com imagens dos dedos mindinhos de quem não consegue se desconectar do celular e apoia o aparelho no dedinho…((há que diga que é Fake, mas serve de alerta pra vc começar a pensar se tá passando tempo demais com o celular na mão. Existem vários aplicativos que mapeiam isso e para quem tem IPhone, na última atualização, ele monitora toda a navegação. Serve de controle.))

 

Aqui falam que é fake news, mas conheço gente com o dedinho torto… haha

 

Entre os nativos digitais, que têm toda essa intimidade com a tecnologia, já não parece absurda a ideia de assistir a um filme em velocidade maior que a normal para que ele termine logo. Ou ainda que se divida a tela para acompanhar mais de um conteúdo por vez. E aí, obviamente, isso muda totalmente a relação com a experiência.

 

Eu conversei com o psicólogo e hebiatra (que é o médico especializado em adolescente), Maurício de Sousa Lima sobre algumas consequências desse comportamento entre os jovens:

  • Prejuízo do sono
  • Baixa no sistema imunológico
  • Perda de atenção
  • Perda de memória de curto e longo prazos

 

E ele percebe algumas tendências: a primeira delas é um prejuízo importante na qualidade do sono. O sono tende a ser mais picado e não obedecer às 8 horas indicadas. Porque os jovens não querem ficar tanto tempo desconectados e, quem pode, divide o sono em 2 períodos de 3 ou 4 horas (um à tarde e outro já de madrugada). Isso reflete numa queda de atenção e do sistema imunológico e na perda da capacidade de atenção e memória.

 

Tudo isso vem sendo resolvido como? Muitas vezes com medicamento até de uso controlado e alto custo. Além dos remédios, surge um mercado enorme de energéticos e suplementos vitamínicos que prometem melhorar sua performance cerebral dando foco, memória, reduzindo a fadiga mental…

 

Outra síndrome é a chamada F.O.M.O (Fear of missing out ou “medo de ficar de fora”). Com o excesso de opções e sem querer perder nada o prazer do momento presente fica comprometido. Você está numa festa e vê nas redes sociais que o seu amigo tá “mais feliz em outra” e começa a descurtir o seu momento.

 

O futurista alemão Gerd Leonhard chama tudo isso de obesidade digital e a metáfora faz todo sentido: o “banquete digital” está servido, permitindo uma hiperconectividade que pode ser tão nociva à saúde quanto o sobrepeso. É a vontade de usar mais e mais dispositivos e consumir mais e mais dados que pode levar a um vício comparável à compulsão alimentar. E aí quando nos desconectamos, temos a sensação de que estamos incompletos, fora do mundo.

 

 

 

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