Minha sala de aula do tamanho do planeta

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1 de agosto de 2018

Minha sala de aula do tamanho do planeta

Mirei na marca Harvard e acertei num networking global

 

 

Por Patricia Travassos *

 

Quanto mais conhecimento eu busco e “consumo, cresce a sensação de que estou defasada em relação à velocidade de transformação do mundo. Os inúmeros jargões tecnológicos que ainda não fazem parte do meu vocabulário me dão a impressão de que estou perdendo a corrida para a disrupção e que minha profissão, meus projetos e negócios estão ameaçados por um futuro complexo. É preciso tentar compreendê-lo o quanto antes. Foi o que eu fiz. Como? Aderindo a um curso à distância.

 

O primeiro motivo foi a conveniência*. Eu não queria perder tempo e usar uma plataforma online me permitiria conciliar meus compromissos pessoais e profissionais e dar esse upgrade na minha formação.

 

Depois, me lancei ao processo de inscrição como quem programa uma aventura, com um baita pé atrás. Não seria melhor esperar uma oportunidade de férias e fazer um curso presencial? Mas, a inovação me impunha pressa e embora o meu assunto fosse justamente a inovação, busquei a tradição de uma universidade respeitada americana: a Harvard Business School.

 

Fui atraída pela reputação da marca HBX. Confiava que, vindo de lá, o conteúdo teria qualidade assegurada, mesmo sendo online. É isso mesmo: eu tinha um enorme preconceito contra cursos online. Que bom ter me dado a chance de mudar de opinião. Aliás, se abrir ao novo é o primeiro passo para a atualização do mindset de qualquer pessoa, fundamental hoje em dia.

 

Bom, o que eu experienciei durante o curso de “Estratégias disruptivas de inovação”, ministrado pelo professor Clayton Christensen, foi muito mais rico do que eu esperava. Se você não faz um curso online há mais de 5 ou 10 anos, esteja preparado para ressignificar o seu conceito de EAD e dê uma nova chance às inúmeras propostas que se apresentam na internet. Seja criterioso na seleção, claro. Não dá para generalizar e afirmar aqui que todos os cursos online são bons. Até porque, hoje em dia, são tantos! Todos ministrados por especialistas instantâneos em tudo. Mas, se você escolher com critério**, eles podem ser, sim, transformadores.

 

Para a minha surpresa, mais do que o conteúdo, inscrita na plataforma HBX, passei a fazer parte de uma rede social (mais do que de uma classe) formada por 207 alunos espalhados pelos cinco continentes do mundo. Os perfis selecionados pela curadoria da Universidade reuniam experiências e culturas diversas. Todos exerciam algum cargo de liderança em seus negócios estabelecidos nos mais variados mercados.

 

Para receber o certificado no final do curso, não bastaria cumprir os módulos de conteúdo nos prazos determinados, era preciso interagir, publicar artigos e comentar os papers dos colegas. Aliás, a troca de visões entre os alunos é um dos pontos fortes (veja abaixo) do aprendizado.

 

Confesso que no primeiro exercício que exigia a aplicação da teoria no meu universo levei uns dois dias para elaborar a resposta. Detalhe: só é possível avançar no conteúdo à medida em que você responde aos enunciados. Depois de muita reflexão, escrevi um longo texto sem me dar conta que, no momento em que o submetesse à plataforma, ele seria compartilhado entre todos os alunos do curso. Fiquei até envergonhada num primeiro momento, mas logo comecei a checar as respostas dos meus colegas e percebi o maior aprendizado desse momento em que estamos vivendo: independentemente do mercado e da geografia em que você estiver inserido, quando o assunto é inovação, todos estamos no mesmo barco.

 

Percebi que meus colegas cultivam tantas incertezas quanto eu. E só esse compartilhamento generoso de ideias e experiências pode nos dar ferramentas para formar nossas estratégias de sobrevivência e sucesso nessa realidade tão desafiadora.

 

Completei o curso com uma sensação de dever cumprido e uma leve decepção de não ter recebido comentários do professor em minhas respostas, apenas dos alunos. Mas, se esse é um dos pontos fracos (veja abaixo) do ensino à distância, entendo que hoje, numa disciplina subjetiva como o de inovação, não existam respostas certas, apenas certezas temporárias. E assim, vamos em frente, buscando cada vez mais referências para ampliar nossa visão de mundo e os nosso horizontes para o presente e o futuro que se apresenta a cada novo instante.

 

* – Patricia Travassos é jornalista e publicitária. É colunista da Globonews e Sócia-Diretora da Prosa Press.

 

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Pontos fortes da minha experiência com EAD:

  • Conveniência: cursos à distância, em geral, dão liberdade para você escolher o seu melhor horário para assistir às aulas, sem perder tempo com deslocamentos.
  • Networking: dependendo da plataforma escolhida, você poderá interagir com colegas que estão buscando o mesmo conhecimento que você e portanto podem estar passando por problemas ou questionamentos parecidos. A troca de experiências pode ser muito rica.
  • Acesso a professores do mundo inteiro: não existem barreiras geográficas para o ensino à distância.
  • Acesso às respostas dos alunos: numa sala de aula presencial dificilmente cada aluno tem acesso às respostas dos colegas nos exercícios propostos pelo curso. Online, dependendo da plataforma, é possível. E a troca de experiências faz do aprendizado um processo ainda mais rico e diverso.
  • Ritmo personalizado: embora seja necessário cumprir prazos na conclusão de cada módulo, você avançar no conteúdo de acordo com o seu ritmo.

 

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Pontos fracos da minha experiência com EAD:

  • Falta de feedbacks: dependendo da plataforma, os professores não analisam o desempenho dos alunos ao longo do curso. Normalmente são disponibilizadas as respostas do professor para exercícios e você é quem faz uma auto avaliação de desempenho. Muitas dúvidas podem acabar sem respostas.
  • Falta de socialização presencial: embora a troca de experiências online seja muito prática, nada substitui um bom papo presencial. É claro que, a partir do primeiro contato virtual, encontros e reuniões podem ser agendados, mas esta não é uma premissa das plataformas de EAD.
  • Lacunas relativas à inclusão: muitas plataformas ainda não estão preparadas para atender alunos com necessidades específicas e exigem acesso a internet

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