É fácil olhar para o passado e apontar onde gigantes como Kodak ou Blockbuster erraram. Geralmente, a culpa recai sobre a “falta de tecnologia”. Mas, ao analisar a fundo, o problema real pode envolver múltiplas causas, entre elas, o isolamento e a cultura corporativa.
Muitas dessas empresas tentaram inovar sozinhas, presas em seus próprios feudos, ignorando que o mundo estava mudando para um modelo colaborativo.
Hoje, a sobrevivência não depende apenas de ter a melhor patente, mas de estar conectado. Antes de conhecermos os erros do passado na lista abaixo, convido você a olhar para a solução do presente.
Na Prosa Press, documentamos como as empresas líderes estão fugindo da estagnação através da colaboração radical.
O isolamento corporativo e a nova lógica da inovação
Assista ao nosso documentário original: Ecossistemas de Inovação. Uma aula sobre o futuro dos negócios guiada por quem construiu a internet no Brasil. Reunimos ícones como Silvio Meira, Romero Rodrigues (fundador do Buscapé) e Jorge Audy (Tecnopuc) para debater como a colaboração radical é a única saída para a estagnação.
O que o documentário mostra é exatamente o oposto do comportamento que levou as empresas abaixo à falência. Enquanto a inovação aberta cria futuros possíveis, o fechamento em modelos antigos decreta o fim.
Relembre agora os 5 casos clássicos de quem não soube virar a chave:
1) Kodak
A Kodak já foi sinônimo de fotografia e chegou a dominar 80% do mercado de câmeras e filmes fotográficos em todo o mundo. Ironicamente, ela também inventou a tecnologia que a tiraria do mercado: a câmera digital.
A ideia desenvolvida pela marca foi engavetada quando os executivos perceberam que o projeto prejudicaria as vendas dos seus produtos tradicionais. Não muito tempo depois, as câmeras digitais foram lançadas por outros fabricantes e a Kodak teve problemas em acompanhar a evolução do setor.
Empresas como Canon e Nikon dominaram o mercado e o nome da Kodak nunca mais foi o mesmo. A empresa chegou a pedir concordata e, durante o processo de recuperação, vendeu suas patentes para um consórcio composto por gigantes como Google, Apple e outras empresas influentes. A venda foi avaliada em US$ 525 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões), montante que auxiliou em sua reestruturação e recuperação.
Atualmente, a Kodak atua no mercado farmacêutico e fornece embalagens, impressão funcional, comunicações gráficas e serviços profissionais para empresas.
2) Atari
A Atari foi uma das pioneiras na criação de videogames e teve muito sucesso com isso na década de 1980. Então, era de se imaginar que ela fosse manter seu nome no mercado entre os líderes do setor. Mas não foi isso que aconteceu.
Com a evolução dos sistemas operacionais e do hardware necessários para jogar, os dispositivos da marca foram abandonados pela maioria dos usuários, e ela perdeu espaço para concorrentes como a Nintendo e, posteriormente, a Playstation (Sony).
Nas últimas décadas, as divisões da empresa foram vendidas para diferentes grupos e a Atari amargou prejuízos e passou por processos de Recuperação Judicial. Atualmente a empresa aposta na nostalgia dos consumidores e fatura com o licenciamento de sua marca para produtos diversos.
A Atari também comercializa games e possui as divisões Atari Games (um dos destaques é o Rollercoaster Tycoon Touch) e a Atari Casino.
3) Blackberry
A Blackberry é outra empresa que ficou para trás em termos de tecnologia. A empresa teve um histórico glorioso de lançamentos de produtos inovadores e teve muito sucesso no início dos anos 2000. Antes o celular escolhido por todos os empresários e oficiais do governo, ela perdeu espaço com a chegada da Apple no mercado de smartphones.
As tecnologias que apenas um Blackberry oferecia, como a edição de planilhas e a possibilidade de se trabalhar remotamente, tornaram-se muito mais simples com o iPhone e, posteriormente com as diversas opções de modelos Android.
A empresa demorou para incorporar funcionalidades como o “touch screen” e foi perdendo cada vez mais espaço para a concorrência. As pessoas físicas viram que poderiam beneficiar-se tanto de um telefone inteligente quanto os funcionários de grandes organizações.
O dispositivo da Apple ganhou lugar também dentro das empresas e redefiniu o mercado, e os famosos Blackberrys, com seus teclados físicos completos, ficaram para trás.
Em 2016 a empresa decidiu deixar de fabricar smartphones e passou a atuar em parceria com outros fabricantes. A empresa também aposta na área de software e serviços focados na segurança da Internet.
A história da empresa foi contada no filme gravado com estética de documentário “Blackberry”, lançado em 2023.
4) Radioshack
A RadioShack foi uma das pioneiras nos EUA na venda de tecnologias, como rádios e computadores pessoais. Na década de 1980, ao precisar de um eletrônico, o americano sabia exatamente aonde ir: até a Radioshack mais próxima. A franquia contava com lojas em diversas localizações, inclusive em outros países, como o Reino Unido, o Canadá, o México e Austrália.
Tudo mudou, porém, com o surgimento dos e-commerces, a Radioshack entrou nesse mercado com atraso e concentrou os seus esforços na venda de alguns produtos que não foram bem-sucedidos, como o Zune, o concorrente do iPod feito pela Microsoft.
Com isso, em poucos anos, teve de pedir falência duas vezes. Hoje, é uma rede pouco relevante no mercado de eletroeletrônicos norte-americano.
5) Blockbuster
Uma das maiores redes de locadoras do mundo mostra-nos como uma simples mudança na tecnologia pode fazer com que uma empresa fique para trás. A Blockbuster foi tirada do mercado por empresas como a Netflix, mesmo antes de o streaming se tornar popular. É que, no princípio, a gigante norte-americana tinha como modelo de negócios enviar filmes para as casas dos clientes pelos correios.
Essa otimização logística, que permitia que os usuários selecionassem títulos e os recebessem e devolvessem sob demanda, foi o suficiente para deixar o hábito de ir até uma locadora escolher filmes e séries obsoleto.
O mais irônico é que a Netflix chegou a ser oferecida para a Blockbuster. Na época os executivos da Blockbuster não apostaram no modelo de negócio da empresa e optaram por não avançar com a compra da empresa.
A vida seguiu e o resultado foi que a Netflix simplesmente atropelou a Blockbuster. A popularização das conexões banda larga e do streaming foi o fim da empresa, em 2013.
A lição que fica: A cultura dita a velocidade da inovação
Mais do que falhas tecnológicas, essas histórias revelam lacunas de adaptação. Para uma estratégia funcionar, ela precisa ser compreendida e adotada por quem faz a empresa acontecer todos os dias. A tecnologia altera o cenário, mas é a cultura organizacional que define o ritmo real da evolução.
O sucesso no cenário atual também depende da capacidade de conexão. A inovação acontece em rede e exige abertura para somar forças com startups, parceiros e com a própria sociedade. Grandes transformações pedem colaboração.
Sua empresa vive esse desafio de transformação? A Prosa Press atua para dar clareza e força a esse movimento. Ajudamos marcas a traduzir temas complexos de ESG, Inovação Aberta e Transformação Digital em narrativas audiovisuais que engajam. Transformamos sua estratégia em ferramentas de comunicação capazes de acelerar a mudança cultural.